terça-feira, 10 de novembro de 2009

Sempre adorei escrever. Bilhetes, recados, cartas... Contando coisas, desabafando, pedindo ou perguntando, me desculpando, me declarando...


E agora empaco diante da pergunta sutil e comum: Quem sou eu?


Eu sou a filha caçula de um casal especial que deixou como herança uma educação amorosa, baseada no respeito, no diálogo, no carinho. Sempre disse que meu pai era dono dos olhos verdes mais cheios de ternura que já conheci. Íntegro, digno, inteligente demais. Vivia nos ensinando, nos protegendo e nos enganando com suas brincadeiras de cara séria e voz de trovão! E minha mãe, tão doce, tão sensível e talentosa... Ainda sinto o cheiro do creme de baunilha quente, que nunca consegui fazer igual. Tinha mãos de fada, vivia me fazendo surpresas, me mimando. Um dia... ela morreu de amor. Logo depois que ele partiu. Daí em diante descobri que tinha forças escondidas dentro de mim, que me fizeram atravessar um tempo de dor e vazio. Hoje só ficaram boas e queridas lembranças.


Eu sou fruto dessa história, contada pelo jeito alemão de ser!


Não sei falar de mim, sem falar de quem me rodeia, me cerca, me surpreende, me emociona.


Eu? Eu sou feliz. Eu tenho tudo!


Minha família, que é o elo eterno com o que é mais profundo. A quem admiro e amo demais. Família onde nasci e onde caí de para-quedas. Do lado paterno e do lado materno e do lado que se ganha quando se conhece o verdadeiro companheiro. Não é o Lula e não adianta me confundir com a Marisa.


Meu marido, que me conhece há mais tempo do que consigo lembrar, capaz de me jogar pro alto quando esmoreço e me receber de volta num castelo de surpresas, me chamando de princesa. O cara mais braço na direção que já vi, a quem conheci menino e hoje é um homem brilhante e um pai sem igual. Há 28 anos aceitei o seu pedido e ainda continuamos namorando...Alguém que pela família é capaz de ir a outros planetas e voltar rápido, antes de acreditarmos. Nosso porto seguro. Alguém que não vacila e sempre vem ao nosso encontro cheio de planos e sonhos.


Minha arte, que me faz pintar as coisas com um colorido a mais. Um jeito matizado de espalhar pigmentos onde o branco é tingido pela vida e transborda em algo mais.


Meus amigos. Que mesmo tendo muitas vezes ficado em suas vidas em outros lugares, em outras épocas que não consegui trazer junto, continuam no meu coração. Todos.


Meus filhos. Falar deles? É melhor escrever um livro, não sei resumi-los. Razão e rumo. Caminho de ida e de volta. Nosso espelho refletido com mais luz e mais intensidade. Mais brilho e mais motivos.Para mim, campeões em tudo. Com eles aprendo todos os dias e choro a toda hora. De alegria e de saudade. De orgulho e de felicidade. De quem sou mãe coruja mesmo. Talvez só eles consigam o dom de me deixar sem fala. Quando o amor não se explica mais.


Como posso falar de mim?


Eu sou um pouco de todos os que fazem parte da minha vida !

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